9 de fevereiro de 2006
Cultura de Massas em Portugal no Século XX
Numa iniciativa conjunta do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra e do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, vai realizar-se, a partir do próximo dia 13, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, um Seminário de Investigação subordinado ao tema Cultura de Massas em Portugal no Século XX. De seguida, reproduzem-se o texto de apresentação da iniciativa e a calendarização das sessões do seminário.
Os problemas do estudo da cultura de massas começam pela própria designação. O que são, ou quem são, as massas? Trata-se do povo? Nesse caso, porquê cultura de massas e não cultura popular? Trata-se, antes, da indústria da cultura? Então, qual o papel das massas na sua definição? Entre a cultura popular e as indústrias culturais onde parece oscilar a definição de cultura de massas, a abordagem a que esta é sujeita atravessa as manifestações aparentemente mais espontâneas da vida social e as formas de inculcação mais sofisticadas, os consumos com que se cria o gosto e o senso comum, por um lado, e os mecanismos de produção, por outro.
A cultura de massas, antes de qualquer definição mais rigorosa, parece portanto ser um ponto óptimo para encarar a dimensão política e económica da cultura. Nos processos de massificação jogam-se, simultaneamente e em relação, o alargamento do mercado capitalista, a intensificação do poder do Estado e, no campo mais especificamente cultural, a percepção da autonomia individual e o fortalecimento da capacidade em criar consensos. Ou seja, tal como nos outros campos onde se desenrolam os processos estruturantes daquilo a que chamamos modernidade, na cultura de massas coexiste a aspiração à liberdade e ao prazer, por um lado, e o fortalecimento da capacidade das grandes disciplinas homogeneizadoras.
Este seminário vai procurar servir de espaço de reflexão teórica e definição metodológica em torno do estudo da cultura de massas, por um lado, bem como, por outro lado, de apresentação pública de um conjunto de estudos parcelares em torno dos mecanismos de massificação cultural que possam vir a abrir caminho ao desenvolvimento de uma História da Cultura de Massas em Portugal no Século XX.
Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova (Sala T5, Torre B)
13 de Fevereiro
Um Quadro de Efeitos Multiplicadores na Formação do Espaço Público e de uma Cultura de Massas em Portugal (último quartel do século XIX ao primeiro quartel do século XX)
Luís Augusto Costa Dias (Biblioteca Nacional)
20 de Fevereiro
A Evolução da Notícia Desportiva em Portugal: a Grande Narrativa Futebolística
Nuno Domingos (School of Oriental and African Studies)
6 de Março
Reporters, Sportsmen e outros homens do século XX
Luís Trindade (FCSH/UNL)
20 de Março
Que de Longe Parecem Moscas: Contributos para uma Arqueologia dos Estádios de Futebol
Frederico Ágoas (FCSH/UNL)
3 de Abril
Cinema dos Primeiros Tempos: uma Esfera Pública Alternativa?
Tiago Baptista (Cinemateca Portuguesa)
10 de Abril
O Impacto do Cinema Sonoro na Indústria Musical Portuguesa dos anos Trinta
Manuel Deniz Silva (FCSH/UNL)
8 de Maio
Povo, Público, Massa
António Pedro Pita (FLUC/CEIS20)
22 de Maio
À Procura de uma Economia Moral da Multidão na História do Futebol em Portugal
José Neves (ISCTE)
5 de Junho
As Bibliotecas Fixas e Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian e a “hipótese da elevação do nível cultural da população portuguesa, em especial nos meios mais carentes de apoio e estímulo”
Jorge Ramos do Ó (FPCE/UL)
19 de Junho
Cine-Clubes e Cinefilia: Entre a Cultura de Elites e a Cultura de Massas
Paulo Jorge Granja (FLUC/CEIS20)
3 de Julho
A Programação Televisiva Revolucionária
Madalena Soares dos Reis (FCSH/UNL)
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8 de fevereiro de 2006
Transformações Estruturais do Campo Cultural Português, 1900-1950
Foi lançado no passado dia 3, o livro Transformações Estruturais do Campo Cultural Português, 1900-1950, coordenado por António Pedro Pita e Luís Trindade. Este livro corresponde ao primeiro número da colecção A Paleta e o Mundo da editora Ariadne.
O título da colecção, coordenada por António Pedro Pita e em que se pretende publicar investigações sobre correntes artísticas e movimentos intelectuais, com destaque para os realizados no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, retoma, como se pode ler no texto da badana, «o título da famosa obra de Mário Dionísio; um gesto de homenagem que designa, ao mesmo tempo, um núcleo de preocupações dominantes: a história dos intelectuais; a articulação entre arte, ciências e cultura; a relação entre as ideias e a vida social; a noção de real e de realidade».
Reproduzem-se, de seguida, a Nota de Apresentação e o Índice da obra.
Nota de Apresentação
Nos dias 21, 22 e 23 de Outubro de 2004 decorreu cm Coimbra o colóquio «Transformações Estruturais do Campo Cultural Português, 1900-1950». O colóquio teve como principal objectivo reunir investigações recentes com orientações metodológicas que fossem capazes de redesenhar os campos tradicionalmente trabalhados pela história cultural. Pretendeu ainda pôr em contacto trabalhos que superassem a dependência da história cultural tradicional em relação às histórias das ideias, da literatura e da arte. Procurou, por fim, reforçar um olhar sobre o campo cultural nas suas múltiplas relações com a sociedade, a política e a economia, reunindo nesse sentido comunicações que lessem a cultura como conjunto de fenómenos que se situa sempre num determinado campo de relações; que procurassem elementos transversais no campo cultural (suportes materiais das obras; suas condições de produção, circulação e consumo; implicações políticas, sociais e económicas da reflexão e da criação); e que considerassem as obras e os percursos dos autores no interior de estruturas como os regimes políticos, os sistemas de educação, os mercados literários e artísticos, a imprensa e a opinião pública etc. O resultado foi um conjunto heterogéneo, tanto geracional como metodologicamente, de intervenções. No interior dessa heterogeneidade, porém e como este volume demonstra, é a partir de agora possível estabelecer um novo panorama sobre a cultura portuguesa do início do século XX. Ou seja, e como a mesa-redonda final aqui apresentada como ‘Conclusões?’ sugere, um panorama de novos problemas, questões e objectos que ficam em aberto a partir daqui.
ÍNDICE
NOTA DE APRESENTAÇÃO
António Pedro Pita e Luís Trindade
PEDAGOGIAS
ORIGINALIDADES DA UNIVERSIDADE POPULAR PORTUGUESA
Helena Neves
CIÊNCIAS
FREUD EM PORTUGAL
Os TRABALHOS DE SEABRA-DENIS NA “BIBLIOTECA COSMOS”
Ana Leonor Pereira, João Rui Pita
INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E CULTURA CIENTÍFICA
Augusto J. dos Santos Fitas
AUGUSTO DA SILVA CARVALHO (1861-1957)
HISTÓRIA DA CIÊNCIA E PRÁTICAS CULTURAIS NO SÉCULO XX
Fátima Nunes
O LIVRO, A EDIÇÃO E A LEITURA
EDIÇÃO E EDITORES NOS ANOS 30 E 40:
MERCADO DO LIVRO, ACÇÃO CULTURAL E TENSÕES
Nuno Medeiros
LEITURA PÚBLICA, EDUCAÇÃO POPULAR E POLÍTICA CULTURAL (1900-1950)
Daniel Meio
A PRODUÇÃO LIVRESCA NUMA REGIÃO PERIFÉRICA
O ALGARVE NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
Artur Ângelo Barracosa Mendonça
IMPRENSA E JORNALISTAS
O JORNALISMO COMO MODERNISMO
Luís Trindade
OLHARES DO POLÍTICO
"INTELECTUAIS ORGÂNICOS" E "POLÍTICOS FUNCIONAIS" DO ESTADO NOVO
(OS CASOS DE ANTÓNIO FERRO, AUGUSTO DE CASTRO, JOÃO AMEAL E
COSTA BROCHADO)
Luís Reis Torgal
OLHARES DO ECONÓMICO
RITUALIZAÇÀO SIMBÓLICA, REPRESENTAÇÕES ESTÉTICAS E IDEOLOGIA
DA CAMPANHA DO BACALHAU (1936-1974)
Álvaro Garrido
PAPÉIS
ALMADA NEGREIROS E ERNESTO DE SOUSA
O SER MODERNO EM PORTUGAL
Isabel Nogueira
NARRATIVAS PARA A REINVENÇÃO DO PAPEL SOCIAL DA ARTE E DO ARTISTA
Fernanda Maio
A GRANDE VIRAGEM
TRANSFORMAÇÕES NA FIGURA DO INTELECTUAL NOS ANOS 30
Luís Crespo de Andrade
ARLINDO VICENTE
O ARTISTA ENTRE O INDIVIDUALISMO E O COMPROMETIMENTO SOCIAL
Manuel Dias Santos
INSTRUMENTOS
CONFERÊNCIA, PORQUÊ?
António Pedro Pita
COERÇÃO, CONSENSO E HEGEMONIA NA IMPRENSA CULTURAL DOS ANOS 30
Luís Augusto Costa Dias
AS CONSTRUÇÕES DO NACIONALISMO
AS MÚLTIPLAS FACETAS DA ARTE NACIONAL
Nuno Rosmaninho Rolo
RAZÃO VS QUIMERA NA MUSICOLOGIA PORTUGUESA
DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
Teresa Cascudo
OS NOVOS MEIOS
CINEMA E NAÇÃO
Os PRIMEIROS TRINTA ANOS DE FILMES TIPICAMENTE PORTUGUESES
Tiago Baptista
"NÃO ABORRECER, NUNCA ABORRECER"
PROPAGANDA E DIVERTIMENTO NA PROGRAMAÇÃO DA EMISSORA NACIONAL
NOS PRIMEIROS ANOS DO ESTADO NOVO (1933-1945)
Manuel Deniz Silva
CINEMA COMO ARTE: INTELECTUAIS, CINECLUBES E A CRÍTICA DE CINEMA
Paulo Jorge Granja
CONCLUSÕES?
António Reis, Christophe Prochasson, Fernando Catroga
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